segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Charuto a dois.

-Tu és uma puta .
-Tu nem me conhece para dizer tais palavras?
-Não precisa ser doutor para saber quem és .Quando olho em seus olhos reconheço a podridão.
-Como pode me dirigir com tais palavras ? Que impetulancia.
-Cala-te e se retire , tu não merece mais nem minha piedade.
-Vou embora , mais vou com a consciência limpa , e juro que um dia voltarei e tomarei o que é meu de direito , inclusive essa casa .
-Não espere encontra-la do mesmo jeito .
-Não esperarei mais do que a justiça possa me conceder .
-A justiça nunca estará ao lado daqueles que não a respeitam.
-Prometo voltar .Antes de sua ultima tragada, estarei de volta.
Nestor , com uma leve dor de cabeça e pensando no que seria sua vida sem a presença da mulher que verdadeiramente o amou e que por motivos maiores, foi obrigado a expulsar.
Ainda um tanto quanto abalado resolveu sentar em sua cadeira e acender um charuto .Intrigado com tais ameaças , mas sem levar a sério, resolve dar a primeira tragada, ao puxar a fumaça, sente um vulto e um barulho de estilhaço perfurando seus pensamentos ,imediatamente tem a sensação de algo estar escorrendo sobre seus dedos .Com certa dificuldade levanta de sua cadeira e com o charuto ainda posicionado sobre seus lábios , Nestor se dirige ao banheiro, levanta suas mãos e percebe que o inevitável aconteceu .
Uma voz vinda do fundo do escritório , algo que aparentava ser uma canção logo o faz achar que seria um anjo “Será meu anjo que veio me resgatar”?'' .Caído no chão e perdendo sua consciência e seus olhos sendo obrigados a fechar inconscientemente ao lado da escuridão , escutam novamente a voz.
-Eu disse a você que estaria de volta antes da sua primeira tragada , não disse?
Raquel abaixa , desliza seus cálidos dedos pelo rosto de Nestor e passa para seus lábios o charuto ainda aceso . Suas mãos agora se dirigem para dentro de sua pequena bolsa , parecem desejar algo , sua face aparenta certo nervosismo , porém é logo quebrado por uma segurança como quando pagamos nossas "contas" em dia .Vemos rapidamente que se trata de uma pequena arma envolvida em sua mão como um vestido de noiva.
Raquel se aproxima do agonizante corpo, com um leve giro de cabeça e uma profunda puxada no charuto, descarrega do que ainda restava na arma.

Um comentário:

Anônimo disse...
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