-Tu és uma puta .
-Tu nem me conhece para dizer tais palavras?
-Não precisa ser doutor para saber quem és .Quando olho em seus olhos reconheço a podridão.
-Como pode me dirigir com tais palavras ? Que impetulancia.
-Cala-te e se retire , tu não merece mais nem minha piedade.
-Vou embora , mais vou com a consciência limpa , e juro que um dia voltarei e tomarei o que é meu de direito , inclusive essa casa .
-Não espere encontra-la do mesmo jeito .
-Não esperarei mais do que a justiça possa me conceder .
-A justiça nunca estará ao lado daqueles que não a respeitam.
-Prometo voltar .Antes de sua ultima tragada, estarei de volta.
Nestor , com uma leve dor de cabeça e pensando no que seria sua vida sem a presença da mulher que verdadeiramente o amou e que por motivos maiores, foi obrigado a expulsar.
Ainda um tanto quanto abalado resolveu sentar em sua cadeira e acender um charuto .Intrigado com tais ameaças , mas sem levar a sério, resolve dar a primeira tragada, ao puxar a fumaça, sente um vulto e um barulho de estilhaço perfurando seus pensamentos ,imediatamente tem a sensação de algo estar escorrendo sobre seus dedos .Com certa dificuldade levanta de sua cadeira e com o charuto ainda posicionado sobre seus lábios , Nestor se dirige ao banheiro, levanta suas mãos e percebe que o inevitável aconteceu .
Uma voz vinda do fundo do escritório , algo que aparentava ser uma canção logo o faz achar que seria um anjo “Será meu anjo que veio me resgatar”?'' .Caído no chão e já perdendo sua consciência e seus olhos já sendo obrigados a fechar inconscientemente ao lado da escuridão , escutam novamente a voz.
-Eu disse a você que estaria de volta antes da sua primeira tragada , não disse?
Raquel abaixa , desliza seus cálidos dedos pelo rosto de Nestor e passa para seus lábios o charuto ainda aceso . Suas mãos agora se dirigem para dentro de sua pequena bolsa , parecem desejar algo , sua face aparenta certo nervosismo , porém é logo quebrado por uma segurança como quando pagamos nossas "contas" em dia .Vemos rapidamente que se trata de uma pequena arma envolvida em sua mão como um vestido de noiva.
Raquel se aproxima do agonizante corpo, com um leve giro de cabeça e uma profunda puxada no charuto, descarrega do que ainda restava na arma.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Charuto a dois.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Getaway
[Introdução/Liah]
Liah já não recordava se aquelas notas que dedilhava em sua guitarra vermelha faziam algum sentido. Sentira-se só por toda a vida, mas agora era diferente. A melodia já não soava mais a mesma. O único modo que encontrara para aplacar a dor eram as músicas que ouvia, escrevia e compunha. Mas tudo o que fizera até então não fora bom o suficiente. Nada a satisfazia, nada os satisfazia. Ela precisava de mais. Ela queria mais.
Os cabelos caíam-lhe pelo rosto. Mechas roxas, contrastando com a pele pálida, emaranhadas no restante dos cabelos negros como ébano. A escuridão do quarto não perturbava. Em absolutamente nada. Dias atrás, a criatura ali sentada, terminara seu 'projeto', totalmente desenganada. Se não era boa o suficiente para fazer o que gostava... o que sabia que era boa, nada mais importava.
A mochila estava largada logo perto. O corpo esguio se jogou até a mesma, procurando com as mãos trêmulas um cigarro. Ao colocar a droga nos lábios o olhar percorria o quarto. Estado de decadência esse. Deitou-se de barriga para cima, pensando onde colocara o isqueiro. Relutante, levantou metade do corpo, ficando sentada e apanhando na estante o objeto de sua procura. A chama fora única e rápida. Mal suportava resquícios de iluminação. A vida deveria ser assim. Toda escura, em ruínas. Como ela sentia por dentro.
Após uma tragada, o olhar se desviou sem motivo aparente para a janela. Finalmente não demonstrara preguiça alguma e caminhara até seu ponto foco. Lá em baixo ouviam-se vozes, sirenes. Típico subúrbio. Nada de interessante. A não ser a figura do rapaz logo a baixo, sentado no chão. O lugar era freqüentado raras vezes por mendigos em busca de um canto para dormir. Mas os cabelos negros e revirados do jovem lhe chamaram a atenção. Num movimento de alerta, ele olhou para cima e avistou a criatura pálida debruçada na janela.
[Introdução/Mike]
Mike estava lá de novo. Humilhando-se para conseguir mais pó. Não era mais o rapaz forte e esbelto de outrora. Estava demasiadamente magro, com olheiras enormes e muito mal tratado. Não se lembrava mais como havia entrado nessa vida. Primeiro comprava com seu próprio dinheiro, mas logo fora despedido. Passara a roubar a família. A mais de um mês fugira de casa, envergonhado, morando nas ruas.
Empunhava firmemente uma faca – sua única garantia de conseguir mais drogas. Estava fraco e desgastado. Andava apoiando-se nas paredes. Seu estômago roncava, pois não comia de modo descente há tanto que nem se lembrava. Queria parar. Era tarde demais. Precisava de doses cada vez maiores. Virara um escravo na mão dos traficantes.
Pedira por fiado, mas tudo o que recebera fora um surra que ainda lhe doía pelo corpo todo. Seu ombro estava deslocado e cuspia sangue de vez em quando. Não tinha certeza se eram as drogas ou se fora mesmo a tal surra...
Respirava com extrema dificuldade. Além de uma costela fraturada a mistura de nicotina, maconha e cocaína prejudicaram demais seu já frágil sistema respiratório, sofria de bronquite crônica.
Ele sabia o que fazer, apenas não tinha força o suficiente. Como iria impor respeito a vitima se mal se agüentava em pé?
Uma senhora se aproximava. Era a vitima perfeita. Passou rápido, tentando ignorá-lo. Com a maior velocidade e força que seu estado permitia, apunhalou a mulher no braço, arrancou-lhe a bolsa e saiu correndo. O dono de uma venda do outro lado da rua vira tudo e chamara a polícia. Ele mancava muito para poder fugir a tempo. A faca pesava cada vez mais, e o peso da bolsa também parecia aumentar. Sua visão começava a falhar. Estava ficando tonto. Ouviu sirenes. A polícia estava chegando. O instinto de sobrevivência falou mais alto. Por um breve momento esquecera sua dependência. Soltara a bolsa e a faca. Continuara por alguns metros até entrar em um beco e cair.
O lugar era sujo e deserto. Ele estava acostumado a lugares assim, pois era onde vivia. As sirenes passaram rapidamente. Sua aparência raquítica o ajudou a manter-se escondido. As pessoas começavam a se juntar fora do beco indo na direção a senhora caída. Lhe veio a sensação de estar sendo observado. Um frio correu-lhe a espinha e foi então que a viu. Da janela de um edifício uma garota esguia, de cabelos negros como a noite, contrastando com sua tez pálida o observava do balcão.
[Alucinação...]
O sussurro do vento passava numa carícia arrogante pelos cabelos negros já um tanto quanto desalinhados. Pela boca de contornos de finos fluía a fumaça alucinógena em direção ao mundo exterior. Os olhos grandes, ainda fixos no rapaz.
A cabeça doía muito. Já estava noite, mas a claridade de um poste não muito longe fazia com que tivesse vertigens. O corpo magro saiu pela janela, cigarro ainda na boca.
Os dedos finos e longos destravaram o trinco da escada de incêndio. O barulho do ferro, já velho e desgastado, foi alto. Mas não tanto quanto a costumeira balbúrdia do bairro suburbano.
Seria alucinação tal atitude da garota? Ela estava ali: calça jeans colada, blusa de manga comprida um pouco justa ao corpo. All star desgastado, cigarro nos lábios e olhando para ele...
A luz do poste lhe doía os olhos. Ainda estava com tonturas. Com a visão meio turva viu a silhueta da garota abrir a janela. Ele esfregou os olhos para poder enxergar melhor e a viu olhando-o fixamente. Permaneceu parado, tentando saber se realmente havia entendido a mensagem. Hesitou um pouco. Olhou novamente para a figura magra que o olhava de volta. Então com as poucas forças que lhe restavam se aproximou da escada de incêndio e começou a subir lentamente...
Os passos dados com as botas surradas ecoavam à medida que ia subindo os velhos e enferrujados degraus de metal. Sua costela doía a cada passo. Ele ainda olhava para a garota. Não tinha certeza do que estava fazendo, mas subia calmamente cada degrau. Pisava na barra da calça jeans rasgada e encardida que afrouxara em seu corpo após os últimos dias. A camisa preta estava se desbotando e parecia ser de um tamanho muito maior do que o dele. Subia com dificuldade, estava mancando e respirar era penoso. Mas continuou, até parar diante da janela, cara a cara com a garota.
O cigarro quase caiu dos lábios entreabertos. O rapaz estava cadavérico... O olhar dela parecia devorá-lo tamanha curiosidade e impressão que este lhe causara. A franja lhe caiu no rosto com uma leve brisa que arranhara a face pálida. Recompondo-se, adentrou no apartamento, caminhando alguns passos para perto da cama até virar-se e continuar observando-o.
O local possuía parca iluminação, cortinas pesadas e um aroma de lírios recém colhidos. Era confortável o suficiente para uma garota como aquela morar só. Havia uma cama de casal com os lençóis um pouco bagunçados, uma estante ao lado da janela repleta de livros e uma cômoda logo à frente do rapaz com mais livros e um som. Poderia ainda ser notada uma guitarra num canto, perto de algumas velas coloridas. No mais, um olhar curioso veria uma pequena sala e uma outra porta à direita. Lá provavelmente se encontraria banheiro e cozinha.
Ele permaneceu do lado de fora por alguns minutos. Então finalmente entrou. O perfume dos lírios espalhado pelo quarto o mergulhou em uma certa calma. Fechou os olhos e respirou fundo para sentir melhor o aroma agradável. Ao abri-los novamente o azul antes desbotado de sua íris pareceu, por alguns segundos, ganhar vida - contrastando fortemente com suas olheiras profundas.
Liah contornara a cama, e sentara-se a um canto, perto da guitarra, sem tirar os olhos do rapaz. Estavam ali tais quais dois animais acuados. Presos por si próprios em seu vicio perturbador. O ser ali presente começava a encantá-la. Era como se pudesse ver em outra pessoa toda sua decadência - mesmo não tendo real consciência do fato. Estariam ambos a ponto de sucumbir de tal forma?
O vento lá fora se fez ouvir. Parecia ser uma espécie de canal para que eles pudessem se lembrar de que não estavam sozinhos no mundo. Porém, as mentes divagavam, muito mais ocupadas e egoístas do que deveriam ser. Olhares fixos, sem palavras, delineavam a frágil estrutura de um fogo inexistente no músculo pulsante, contido no peito de cada qual.
Liah foi a primeira a desviar o olhar e analisar lentamente os cabelos, as roupas e a magreza do homem à sua frente. Seria ele capaz de possuir um sorriso? De ver mais um amanhecer? Foi assim que Liah conseguiu ver pela primeira vez... As sombras a envolviam de um modo tão delicado quanto sua fala, seu toque.
Olhava para Mike quase implorando por uma palavra - um sussurro sequer. Pegando um lírio próximo, foi se esgueirando até bem próxima a ele. Não poderia se levantar. Não seria capaz de fugir de si mesma...
Mike a observava. Os olhos azuis lutavam para permanecerem abertos. Sentia sono e uma incrível vontade de fugir. Os punhos se serraram com um misto de força e raiva. Seria ele tão fraco?
A proximidade foi-lhe estranha. Exatamente como o que se seguiu. O toque da flor foi carinhoso. Mike já não se lembrava de ter se sentido daquela forma. As pétalas deslizavam-lhe pelo rosto cansado quase como um poema escapando dos lábios da garota desconhecida.
A franja no rosto não impedia que visse seus olhos acinzentados, mas não se conteve em afastá-la delicadamente. Não se lembrava de ser assim. De sentir qualquer outro impulso alheio ao vício que o motivava em tudo. Mas... não correra a pouco deixando tudo isso para trás?
O corpo tremia e as dores começavam a se tornarem intensas. Então, pela primeira vez, Mike pareceu se importar. Não queria feri-la. Inexplicavelmente a queria só para si.
'Acho que você precisa de um banho e um bom sono...' Ela falara. Seus lábios se moveram graciosos e as palavras eram uma espécie de carinho. Será que se esquecera assim, tão por completo do que era tudo aquilo? Encolheu-se instintivamente - tanto pela dor quanto pela sensação de que alguém se importara. Não queria saber os motivos. Alguém notara que ele existia. Mesmo isto sendo algo que ele já ignorava há bastante tempo.
Ele mal soube como conseguiu encontrar forças para tomar um banho e se deitar. As lembranças se tornavam falhas - estilhaçadas tal qual sua mente e coração. O sono que não se lembrara de sentir foi aproveitado. Não o suficiente, não o que realmente desejaria para aplacar a torrente de dor e pensamentos. Ao abrir os olhos na quase madrugada, sentiu que ia morrer. E ao vê-la a seu lado, sentiu um pavor absoluto.
Liah estava deitada, usando apenas uma camiseta, de tonalidade azul bem escuro, um tanto quanto folgada para seu corpo magro. Cada detalhe do rosto, o movimento do peito ao respirar... Aquilo tudo era vida. Uma vida que Mike deixara para trás por uma razão que agora lhe parecia tão tola. Sentiu vontade de tocá-la. Uma vontade quase incontrolável – sua mão se deteve apenas a milímetros dos cabelos negros. Algo nele dizia que se o fizesse estaria indo para um caminho sem volta. Morreria naqueles braços, não saberia até que fosse tarde.
O punho cerrado, as dores latentes em seu corpo, a raiva que ia dominando seu ser a cada segundo. Precisava de algo que ela não poderia lhe oferecer de modo algum. Precisava de algo que no fundo, ele próprio não mais queria.
Ela acordou se sentindo estranha. O sorriso havia se esvaído de uma maneira aterradora. Talvez para não mais retornar. Os olhos não possuíam brilho. Fizeram-se opacos. Acordara com uma raiva acalentando seu coração doentio. Mike estava a seu lado. Mike.
O olhar cintilou subitamente graças às lagrimas que surgiam devagar. Feixes de luz solar ameaçavam adentrar o quarto escuro quando Liah cerrou as cortinas por completo.
O corpo quase completamente despido, era perfeitamente marcado pelas sombras bruxelantes das ultimas velas acesas. O ruído era apenas o da respiração difícil do rapaz magro deitado em sua cama, envolto em seus lençóis.
Um suspiro escapou dos lábios femininos. Sentando-se na beira da cama, pegando a guitarra, os dedos começaram a dedilhas as primeiras notas de uma canção há muito esquecida. O nome que fora afogado emergia em meio à melodia. Não queria nada. Não suportaria nem ao menos precisava de mais nada. Seu olhar se fizera fixo. Ela sorria.
Mike tinha o sono embalado pela mistura inebriante do perfume de lírios e uma musica que jamais ouvira. Não ousaria abrir os olhos. Tentava aproveitar cada instante daquela loucura. Quando olhasse para o quarto, sabia que a verdade o atormentaria. Temia tudo o que poderia perder. Tudo o que não tinha. Odiava-se por isso. Odiava seus instintos. Mas acima de tudo - desejava Liah.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Tuberculose poética.
E o medo , o medo de me tornar alguém apoético , apático , sem vida , alguém flamejante em busca de um sorriso , um amarelo sorriso desdentado , porém verdadeiro.
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Tinco, Tlinta e Tinco!
Animação vencedora do animamundiweb 2006 nas categorias de juri popular e juri profissional.
Animação, desenho e edição de som: Alexandre Velloso
Roteiro e vozes: Sergio Castelo Branco
http://www.animamundi.com.br/
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
A gota final
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
O último gole de rum!
Não mentiria , se realmente eu tivesse dormido com uma mulher nessa cama ,certamente eu me recordaria , porém , nada me fazia lembrar das ultimas 18 horas .Tomei um banho , aparei a barba , vesti uma camisa sem passar e corri para o trabalho.
Fui recebido com um longo e exaustivo bombardeio de obuses , essas, recheadas das mais doces palavras que um homem no qual ,o coração saia pela boca e o rosto apimentava a cada gesto.Para aqueles que pensam ser meu "adorável chefe " , acertaram , não respondi uma palavra , mais pensei em 300 métodos de aplica-lo uma morte rápida .Quanto mais o tempo passava , mais as coisas iam piorando , o que era para ser apenas uma bronca entre patrão e empregado se transformou em gritos e berros vindo de um mesmo homem, um homem enfurecido por ter uma mulher que lhe pregasse galhos diariamente , respirava fundo a cada palavra cuspida em minha cara , me segurava para não fechar o punho e soca-lo até a morte .Fechei os olhos e por algum motivo no qual não me recordo , e que nessas circunstancias não faria tanta diferença , comecei a recordar o que havia se passado nas minhas 18 ultimas horas.
Algumas horas do dia anterior havia pensado exaustivamente em minha ex-mulher, sentia que deveria fazer algo para tentar reconquista-la , comprei algumas flores , uma caixa de bombom e uma garrafa de champagne caso a reconciliação terminasse em algum motel .Cheguei em sua casa , e antes que pudesse abrir a porta do meu carro e correr para seus braços como uma criança abandonada , olhei o que não deveria ter olhado , braços enormes entrelaçados em seu corpo .Senti uma ânsia de ante daquela horrível visão , não haveria outro jeito , rumei sozinho para o motel aluguei um quarto , mastiguei de uma só vez a caixa de bombons , e me deleitei com uma garrafa de champagne.Tudo tinha sido tão patetico , senti uma tremenda vergonha , "como fui idiota! ", pensei comigo mesmo , lavei meu rosto , paguei a conta e corri em direção a cidade , iria talvez me estabelecer nessas casas de mulheres de "boa vida" .Com apenas r$150 reais , pode-se ter uma noite espetacular junto com as melhores e mais bonitas mulheres dessa cidade , e foi o que fiz , não havia duvida , estava mal , precisava de alguém que me consolasse.
Continua...
terça-feira, 31 de julho de 2007
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Entre outras coisas
Estamos no Ar!
Não perca , entre , mande sua "crítica" e faça desse o seu portal para algo novo.